Poucas construções conseguem permanecer relevantes por mais de sete décadas.
A Casa Belotti, projetada em 1953 pelo arquiteto Ayrton “Lolô” Cornelsen, é um desses exemplos. Reconhecida pela linguagem modernista inspirada em Le Corbusier, a residência voltou a ganhar destaque em Curitiba após sua transformação em um espaço dedicado à arquitetura e ao design.
Antes dessa nova fase, porém, a fachada havia sido comprometida por pichações que interferiam na leitura do projeto original. A recuperação desse patrimônio visual exigiu uma solução capaz de remover as intervenções sem descaracterizar a superfície existente.
Neste artigo, apresentamos a história da Casa Belotti e mostramos como o processo de despiche contribuiu para devolver protagonismo a uma das obras mais emblemáticas da arquitetura curitibana.
A história da Casa Belotti e sua importância para Curitiba

Fotografia : Eduardo Macarios
Muito antes de se tornar um espaço dedicado à arquitetura e ao design, a Casa Belotti já chamava atenção pela ousadia de seu projeto. Construída em 1953, ela surgiu em um período em que Curitiba ainda possuía uma arquitetura predominantemente tradicional, marcada por residências com telhados aparentes, ornamentações clássicas e forte influência europeia.
Foi nesse contexto que o arquiteto curitibano Ayrton “Lolô” Cornelsen apresentou uma proposta completamente diferente do que se via na cidade. A residência rompeu padrões ao adotar uma linguagem modernista inspirada nas tendências internacionais que transformavam a arquitetura do século XX.
Mais de 70 anos depois, a Casa Belotti permanece como um importante registro da evolução arquitetônica de Curitiba e um exemplo da importância da preservação do patrimônio construído.
Um projeto inspirado no modernismo internacional
O projeto da Casa Belotti incorpora diversos princípios difundidos pelo arquiteto Le Corbusier, considerado um dos maiores nomes da arquitetura moderna.
Entre suas características estão o volume retangular elevado sobre pilotis, as janelas em fita, a planta livre e a utilização de uma composição visual baseada em linhas simples e na valorização da funcionalidade.
Outro elemento marcante é sua fachada vermelha e branca, combinação que se tornou uma das principais identidades visuais da residência e contribuiu para que ela permanecesse facilmente reconhecida ao longo das décadas.
Uma obra que provocou diferentes reações
Na década de 1950, a proposta arquitetônica da Casa Belotti dividia opiniões. Em uma Curitiba ainda bastante conservadora, muitos moradores estranharam o aspecto moderno da construção.
Relatos históricos contam que algumas pessoas chegaram a acreditar que o edifício seria um estabelecimento comercial ou uma casa noturna, tamanha era a diferença em relação às residências tradicionais da época.
Hoje, justamente essas características fazem da Casa Belotti um importante símbolo da arquitetura moderna brasileira.
Da residência modernista ao polo de arquitetura e design
Ao longo de sua história, a Casa Belotti assumiu diferentes funções sem perder sua identidade arquitetônica. Além de residência, o imóvel já recebeu restaurante, galeria de arte, eventos culturais e exposições.
Em 2025, iniciou uma nova fase ao passar a integrar a Moov Arch, tornando-se um espaço voltado à arquitetura, design e criatividade. Essa transformação ampliou novamente sua visibilidade e despertou o interesse de arquitetos, estudantes e da população pela história do edifício.
Mais do que reutilizar uma construção existente, a iniciativa reforça a importância da preservação do patrimônio moderno e demonstra como edificações históricas podem continuar desempenhando um papel ativo na vida urbana.
Quando a pichação interfere na preservação da arquitetura

Fachadas são responsáveis por transmitir a identidade de uma edificação. No caso de obras de relevância arquitetônica, elas também representam um documento histórico capaz de revelar conceitos, técnicas construtivas e características de determinada época.
Quando pichações são realizadas sobre essas superfícies, não ocorre apenas uma alteração estética. Os elementos arquitetônicos deixam de ser percebidos em sua totalidade, dificultando a leitura do projeto original.
Além do impacto visual, determinadas tintas podem aderir profundamente ao substrato, tornando a remoção mais complexa e aumentando o risco de danos quando são utilizados métodos inadequados.
Em edificações de interesse histórico ou arquitetônico, intervenções de limpeza devem priorizar técnicas que preservem a integridade da superfície e reduzam a necessidade de reparos posteriores.
O processo de despiche da fachada da Casa Belotti

Como parte da preparação da Casa Belotti para sua nova fase, foi realizado um processo de remoção das pichações presentes na fachada.
Para essa intervenção foi utilizado o Deleta 2030 EcoPro, removedor de pichações e tintas desenvolvido pela Nano4You.
A tecnologia atua na remoção de diferentes tipos de tintas e pigmentos, contribuindo para recuperar o aspecto original da superfície sem recorrer a processos abrasivos que possam comprometer o acabamento existente.
O objetivo da intervenção não era modificar a arquitetura da residência, mas permitir que sua composição original voltasse a ser percebida, evidenciando novamente as linhas, volumes e cores concebidas pelo arquiteto Ayrton Cornelsen.
Essa etapa foi fundamental para valorizar novamente a identidade visual da Casa Belotti e prepará-la para receber visitantes em seu novo momento como espaço dedicado à arquitetura e ao design.
Antes e depois: a recuperação visual da fachada
A comparação entre as imagens da fachada antes e depois da intervenção demonstra como a remoção das pichações devolveu protagonismo ao projeto arquitetônico.
Com a eliminação das interferências visuais, voltam a se destacar elementos característicos do modernismo, como a horizontalidade das janelas, o contraste entre as cores originais e a simplicidade das formas que tornam a residência uma referência na arquitetura curitibana.

A remoção das pichações permitiu recuperar a leitura da composição original da fachada, valorizando novamente os elementos arquitetônicos concebidos em 1953.
Preservar a arquitetura é preservar a história

A Casa Belotti permanece como um dos principais marcos da arquitetura moderna de Curitiba. Sua recente revitalização demonstra que preservar edificações de valor arquitetônico vai além da conservação física: significa manter viva a memória da cidade, respeitar o legado de seus projetistas e garantir que essas obras continuem inspirando novas gerações.
A remoção das pichações foi uma etapa importante desse processo, permitindo que a fachada recuperasse sua leitura original e voltasse a destacar os elementos concebidos por Ayrton “Lolô” Cornelsen. Com o apoio de tecnologias desenvolvidas para limpeza e conservação de superfícies, intervenções como essa mostram que inovação e preservação podem caminhar lado a lado, contribuindo para a valorização do patrimônio construído.
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