Crédito de Carbono: fundamentos, inovações e o papel do Brasil

Banner institucional da nano4you sobre créditos de carbono, destacando fundamentos, inovações e o papel do Brasil na sustentabilidade.

O crédito de carbono é uma unidade que representa a não emissão de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) na atmosfera. Na prática, cada tonelada de GEE – gases de efeito estufa, evitada ou removida, pode ser transformada em um certificado comercializável.

Esse certificado pode ser adquirido por empresas ou países que não atingiram suas metas climáticas, funcionando como mecanismo de compensação ambiental. Assim, quando falamos em o que é crédito de carbono, estamos tratando de um instrumento econômico que atribui valor à redução de emissões.

Como funciona o crédito de carbono?

O mercado de crédito de carbono surgiu em 1997, com o Protocolo de Kyoto, primeiro grande acordo internacional sobre mudanças climáticas. Nele, países assumiram metas de redução de GEE (Gases de Efeito Estufa) e criaram mecanismos para flexibilizar o cumprimento dessas metas:

  • Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): permite que países desenvolvidos financiem projetos de redução em países em desenvolvimento, recebendo créditos em troca.
  • Implementação Conjunta (IC): projetos de mitigação realizados entre países industrializados.

Desde então, consolidou-se o modelo em que quem emite menos pode vender créditos e quem ultrapassa deve comprar. É assim que funciona o crédito de carbono tanto em mercados regulados quanto voluntários.

Crédito, cota e permissão: diferenças essenciais

  • Crédito de carbono: certificado que comprova a redução ou remoção de 1 tonelada de CO₂e.
  • Cota de emissão: limite máximo permitido de emissões para uma empresa dentro de sistemas regulados.
  • Permissão: autorização comercializável para emitir 1 tonelada de CO₂e.

Tipos de mercado de crédito de carbono

Mercado regulado

O mercado regulado de carbono é estruturado em sistemas oficiais, como os ETS (Emission Trading Systems), e funciona pelo modelo cap-and-trade: cada empresa recebe permissões de emissão e, caso emita menos, pode vender o excedente; se emitir mais, deve comprar créditos. No Brasil, esse mecanismo foi regulamentado em 2024 pelo SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Carbono).

Mercado voluntário

Os créditos de carbono voluntários permitem que empresas e indivíduos compensem emissões sem obrigação legal. São validados por certificações internacionais que garantem adicionalidade (redução só ocorre pelo projeto) e permanência (resultados duradouros). Exemplos incluem reflorestamento, energia solar, agricultura regenerativa e preservação florestal.

Quanto vale um crédito de carbono?

A pergunta quanto vale um crédito de carbono não tem resposta única: o valor varia conforme o mercado, o tipo de projeto, a “safra” da redução e a demanda global.

Você pode consultar preços de créditos de carbono através de canais de investimento de créditos de carbono: https://br.investing.com/commodities/carbon-emissions.

A pegada de carbono: quando a emissão se torna mensurável

O conceito de pegada de carbono (carbon footprint) conecta o sistema global à vida cotidiana. Trata-se do total de emissões de GEE associadas a indivíduos, produtos, empresas ou atividades, expresso em CO₂ equivalente (C6 Bank).

Um exemplo prático é o Extrato de Carbono do C6 Bank, que calcula as emissões de um usuário com base nas transações realizadas (Pix, cartão, compras) e permite compensar o impacto com créditos de carbono fracionados a partir de 1 kg, emitindo certificado digital.

Esse recurso mostra que 1 crédito de carbono (1 tCO₂e) não é uma unidade distante: um carro a combustão, uma usina termelétrica ou a fabricação de cimento podem liberar essa quantidade em dias ou até horas de operação.

Ferramenta prática: calculadora da Iniciativa Verde (Brasil)

Recomendamos a Calculadora de CO₂ da Iniciativa Verde. A ferramenta foi desenhada para pessoas físicas e estima a pegada de carbono pessoal a partir de módulos como eletricidade residencial, gás, transporte individual, transporte coletivo e viagens aéreas, além de indicar quantas árvores seriam necessárias para compensar as emissões estimadas.

Calculadora de crédito de carbono: https://www.iniciativaverde.org.br/calculadora

REDD e REDD+: conservação como ativo climático

A partir da COP13 (2007, Bali), consolidou-se o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), que remunera a manutenção de florestas e o aumento do estoque de carbono.

O Brasil foi pioneiro em mensurar cientificamente o carbono estocado nas florestas tropicais, contribuindo para o avanço do REDD+, que integra políticas estaduais e nacionais e fortalece a segurança jurídica e socioambiental dos projetos.

Inovação: combustíveis alternativos e remoção de carbono

Metanol verde

O metanol verde é produzido a partir da combinação de hidrogênio verde (obtido por eletrólise com energia renovável) e CO₂ capturado. Ele substitui o metanol cinza (derivado de gás natural) e o azul (dependente de combustíveis fósseis com captura parcial) (Iberdrola).

  • Aplicações: transporte marítimo, indústria química, produção de combustíveis sintéticos.
  • Projetos em escala industrial já estão em curso, como a planta da Iberdrola na Austrália, com capacidade de 300 mil toneladas/ano de metanol verde.
  • Além de combustível limpo, o metanol verde valoriza o CO₂ capturado, transformando o passivo climático em ativo energético.

Tecnologias de remoção de carbono da atmosfera

Segundo a Revista Pesquisa Fapesp, várias tecnologias maduras já permitem remover CO₂ do ar (FAPESP).

|“O mundo precisa urgentemente deixar de depender de petróleo, gás natural e carvão. Enquanto essa dependência existir, é necessário capturar e armazenar o CO₂ decorrente do processo do uso dos combustíveis fósseis.” – de acordo com a revista pesquisa fapesp|

Essas técnicas complementam o mercado de crédito de carbono, pois permitem gerar novos créditos não apenas pela mitigação de emissões futuras, mas também pela remoção efetiva de carbono atmosférico.

O mercado de carbono no Brasil

Em dezembro de 2024, o país instituiu o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Carbono), obrigam que, empresas com emissões acima de 10 mil tCO₂e/ano a reportarem seus inventários e determina que emissores acima de 25 mil tCO₂e/ano reduzam ou compensam parte de suas emissões, mas permitem compensação por meio da compra de cotas de emissão ou créditos de carbono certificados.

O setor agropecuário, responsável por 74% das emissões nacionais, ainda não foi incluído na obrigatoriedade, o que representa um desafio para o avanço da política climática.

Inovação e sustentabilidade

O mercado de crédito de carbono é uma das principais ferramentas globais para reduzir emissões, incentivar inovação e transformar a sustentabilidade em valor econômico. Ele conecta compromissos internacionais, iniciativas corporativas e até o consumo individual, por meio da pegada de carbono.

Novas soluções, como o metanol verde e as tecnologias de remoção de carbono da atmosfera, ampliam esse ecossistema, mostrando que a transição para uma economia de baixo carbono depende da integração entre ciência, tecnologia e governança.

nano4you acredita que inovação e sustentabilidade são inseparáveis. Assim como os créditos de carbono dão valor à preservação, nossas soluções em nanotecnologia transformam ciência em impacto positivo, para o planeta, para as pessoas e para o futuro.

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